Publicado a 4 de Março, 2026

Ecos Urbanos estreiam coro comunitário na Peregrinação Poética

Os participantes chegam de livros nas mãos. Servem-se de chá e sentam-se em círculo. São cerca de 25 pessoas, dos 11 aos 78 anos, que há um mês ensaiam para integrar a Peregrinação Poética do próximo sábado e conduzir o público numa viagem sonora, visual e sensorial que une música e poesia desde o Museu do Calçado até às salas da Torre da Oliva.

Ana Coutinho chegou com a filha de 11 anos. Foi Beatriz quem trouxe a mãe ao coro formado pelos Ecos Urbanos e pelo CLDS 5G, em colaboração com as músicas Patrícia Lestre e Sónia Sobral, para a Peregrinação Poética de 2026. Beatriz aprende ukulele e canto improvisado com Patrícia Lestre e será, juntamente com Sónia Sobral, protagonista do momento de abertura da peregrinação.

A proposta artística que a associação levará à Peregrinação Poética começa com um convite ao projeto Salverde. Patrícia Lestre e Sónia Sobral unem poesia e música do cancioneiro tradicional português, num diálogo sensível entre voz e acordeão.

Para além de terem aceite o convite de imediato, Patrícia Lestre revela “A minha história com os Ecos é longa. Com eles são sempre trabalhos muito diferentes e loucos. Quando querem explorar e sair um bocadinho da caixa, digo logo que sim, porque sei que com eles tudo é possível”.

A “magia” desta conjugação, como lhe chama a cantora, nasce de um intenso trabalho técnico. Inicialmente, o projeto não estava pensado para se abrir à comunidade, mas o resultado superou expectativas. “Pedimos poesias às pessoas e fizemos o trabalho de juntar esses poemas com as músicas que a Sónia gosta de tocar, outras que tivemos de procurar e até criámos algumas. É uma magia que não consigo explicar.” Além das vozes e do acordeão, os coralistas usam o corpo e pequenos acessórios na interpretação, ampliando a dimensão performativa do espetáculo.

Para Lurdes Terra, que também chegou ao coro através da filha, a experiência tem sido “muito gratificante. Convivemos com pessoas maravilhosas. Há encadeamento, há algum improviso, mas no fim resulta. A gente consegue dar a volta.” O seu poema favorito é “A propósito das estrelas”, de Adília Lopes.

A “natureza performativa” da associação foi o motivo que levou o ator Pedro Lamares, curador do evento, a dar aos Ecos Urbanos liberdade para escolher os poemas, dentro dos autores homenageados em edições anteriores da Poesia à Mesa. Florbela Espanca, Adília Lopes e José Tolentino Mendonça foram as escolhas do grupo. Ana Coutinho destaca especialmente um verso deste último “levamos anos a esquecer alguém que apenas nos olhou”, que o coro interpretará em cante alentejano.

Para a associação, no âmbito do trabalho realizado pelo Centro Comunitário, formar um coro foi quase uma escolha natural. Cantar em conjunto é um dos gestos humanos mais antigos e mais poderosos. Nasce da voz individual, mas floresce no coletivo. Quando as vozes se unem, não se cria apenas música: cria-se comunidade.

Nos ensaios, isso torna-se evidente. Entre adolescentes e reformados, experientes e iniciantes, cada voz encontra lugar. Partilham o mesmo ritmo, a mesma respiração, o mesmo verso. Escutam-se. Ajustam-se. Criam pontes invisíveis.

Mais do que preparar um espetáculo, constroem um espaço de pertença. É essa a proposta do Centro Comunitário dos Ecos Urbanos para a Peregrinação Poética 2026: um processo onde a música e a poesia se tornam espaço de encontro e de potência coletiva.

A Peregrinação Poética realiza-se no dia 7 de março, às 16h, com início na Torre da Oliva/Museu do Calçado, e contará ainda com a participação da atriz Lúcia Moniz, convidada especial que protagonizará o momento de encerramento.

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